Barrando a Pirataria de E-books com o Ex-Libris Eletrônico
Publicar e-books sem proteção contra pirataria é algo inconcebível para os editores brasileiros. No mundo pós-MP3 e no país do xerox de porta de faculdade, as preocupações dos editores merecem consideração.
A escolha mais comum para quem quer proteger seus e-books é apostar na proteção DRM (Digital Rights Management) fornecida pela Adobe, através do Adobe Content Server 4 (ACS4). O DRM funciona restringindo os aparelhos, os programas e a quantidade de acessos que os leitores podem ter aos seus e-books.
Embora realmente impeça a cópia indiscriminada dos livros, a rede está cheia de sites que ensinam como retirar a proteção do DRM e “desbloquear” os livros. Para os hackers profissionais, é tarefa fácil – contra eles não há defesa ou proteção que resista. Como se não bastasse, o DRM também provoca uma série de problemas para os consumidores, que estragam a experiência da leitura eletrônica.
Embora poucas pessoas conheçam, existe um outro caminho para atacar a pirataria, sem as deficiências e os “efeitos colaterais” do DRM tradicional.
Social DRM, a proteção com respeito
O Social DRM consiste em inserir, dentro de cada arquivo vendido, informações que identifiquem o comprador.
Um dos melhores exemplos de uso do Social DRM é o iTunes, loja de música da Apple, que usa essa tecnologia desde 2009. Todas as músicas adquiridas lá podem ser copiadas quantas vezes o consumidor quiser, convertidas para MP3 livremente e ouvidas e gravadas como o dono preferir. Os dados pessoais do comprador são armazenados nos arquivos das músicas – nome, e-mail, código do comprador na loja, entre outros dados. Se algum comprador se atrever a distribuir na rede as músicas adquiridas, distribuirá, junto com as músicas, seu nome e seus dados. Como nenhuma pessoa razoável está disposta a ser identificada, publicamente, praticando uma atividade criminosa, a inclusão dos dados pessoais exerce um controle social sobre a pirataria, indireto, daí o nome Social DRM.
A tecnologia do Social DRM pode ser facilmente aplicada aos e-books, de forma invisível, aleatória, codificada, enfim, de muitos modos. Ela também pode ser empregada esteticamente, atualizando o conceito de Ex-Libris, um velho conhecido do mundo dos livros impressos.
Ex-Libris como Social DRM para e-books
Tradicionalmente, um Ex-Libris é um selo, ou carimbo, aplicado na folha de rosto dos livros, para identificar o nome do proprietário do livro ou o acervo ao qual pertence. Até hoje, leitores ciosos dos seus catálogos particulares usam Ex-Libris para identificar a propriedade dos seus livros. Eu mesmo tenho um catálogo do Acervo de Ex-Libris da Biblioteca Pública do Paraná, com centenas deles, muitos são legítimas obras de arte. Reproduzo algumas imagens aqui.
No caso dos livros impressos, cada pessoa possui seu Ex-Libris exclusivo. No caso dos e-books, o Ex-Libris eletrônico funciona como uma imagem, inserida no arquivo do e-book, na qual constam os dados de quem adquiriu aquele exemplar específico. Assim como no iTunes, o Ex-Libris oferece a chance de rastrear a origem de eventuais cópias piratas, caso elas surjam, e tomar medidas mais concretas contra os piratas contumazes.
Para os editores, é uma solução prática e barata, que atende os anseios dos autores por segurança, sem prejudicar os direitos e as experiências dos leitores com seus e-books. Ao contrário do DRM tradicional, que, em nome da proteção aos e-books retira direitos e facilidades dos leitores, o Ex-Libris é positivo, concedendo direitos aos leitores em troca do uso responsável:
- Não há limites para o leitor criar e restaurar cópias de segurança;
- Os e-books podem ser convertidos para outros formatos, conforme o desejo do leitor;
- O leitor pode manter cópias simultâneas em seu celular/computador/e-reader;
- O livro pode ser lido em qualquer aparelho, como e quando o leitor preferir.
Além de menos traumática e invasiva para os leitores, o Ex-Libris como proteção anti-pírataria transmite uma mensagem clara para o leitor: esse e-book é seu, sua propriedade. Cuide bem dele. Parece pouco, mas agrega valor ao livro eletrônico.
Algumas pessoas podem levantar a bandeira da privacidade, argumentando que incluir os dados dos leitores em seus livros violará suas privacidades. Seria um argumento válido, se os Ex-Libris não cumprissem a mesma função nos livros impressos há séculos (literalmente). Pior do que incluir o nome do dono e seu e-mail no exemplar de um e-book, é controlar remotamente os hábitos de leitura das pessoas, saber quais e quantos livros e em que tipo de aparelhos elas lêem, coisas que o DRM tradicional permite fazer e pouca gente percebe.
Tecnologias como o DRM tradicional são caras, ineficientes, prejudiciais ao desenvolvimento do mercado e ao uso do e-book pelos leitores honestos.
O Ex-Libris eletrônico atualiza um conceito tradicional e estético dos livros impressos, com a vantagem de não demandar servidores exclusivos, nem tecnologias que ficarão defasadas em poucos anos, trazendo prejuízos para os leitores e danos de imagem para os editores e livrarias online. É uma idéia simples, de fácil aplicação e criativa, com a qual todos saem ganhando: menos pirataria de e-books, mais liberdade para os leitores.
As editoras utilizam o Stealth, sistema da Simplíssimo para vender e distribuir e-books, podem acrescentar, sem nenhum custo, um Ex-Libris eletrônico com Social DRM em cada cópia vendida. Para conhecer mais a respeito dessa solução, fale com a Simplíssimo.
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